Franqueados veteranos dão dicas para quem quer começar um negócio

Em diversas situações do dia a dia, conhecer a história de quem já passou por algo semelhante pode nos inspirar, inclusive na hora de começar um novo negócio.

Por isso, é sempre bom aproveitar as oportunidades de ver histórias de quem está há anos com sua franquia.

O franchising começou a ganhar mais força no Brasil por volta da década de 70, de lá até hoje diversos empreendedores percorreram caminhos cercados de desafios.

Afinal, durante esses anos ocorreram crises econômicas e políticas, a chegada e consolidação da internet, a mudança nos comportamentos dos consumidores e mais uma série de coisas importantes que impactam diretamente os negócios.

O bom é que toda essa história gerou uma série de aprendizados, que contribuíram para o fortalecimento das marcas e ajudam todos os dias novos franqueados, como você!

 

Fernando Canizares, franqueado do Divino Fogão desde 2006


“Decidi investir no setor em 2006, quando abri a loja no Shopping Central Plaza, em São Paulo.

Me apaixonei pelo negócio e passei a me envolver cada vez mais com a rede, sendo convidado pelo franqueador Reinaldo Varela para identificar novas oportunidades de abertura de unidades em outros estados.

Naquela época rodei cinco capitais – Brasília (DF), Curitiba (PR), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Vitória (ES).

O cenário era favorável e gerou novos negócios.

Depois me mudei para o Rio, morei na capital carioca durante cinco anos e abri quatro lojas. Retornei para São Paulo e há oito anos abri a unidade no Park Shopping São Caetano.

Investi em unidades nos shoppings Cidade São Paulo, Top Center e Shopping Paulista, este último em dezembro de 2018. No final de 2019, fui eleito o ‘Melhor Franqueado do Mundo – Categoria Brasil’ pelo Prêmio Best Franchisee of the World, que destaca exemplos de como o setor de franchising pode mudar a vida do empreendedor, de sua família e da comunidade na qual realiza negócios.

Mesmo com um negócio sólido, as coisas podem mudar de uma hora para a outra.

Os hábitos dos consumidores se transformam, os ciclos de mudança acontecem mais rapidamente e, por isso, as estratégias também podem ser alteradas para acompanhar a dinâmica do mercado.

Lembrando que vivemos o que se chama de mundo BANI (Brittle, Anxious, Nonlinear, Incomprehensible), ou seja, no português QANI (Quebradiço, Ansioso, Não Linear e Incompreensível).

Para ter sucesso na franquia, minhas dicas são: ter foco no negócio, entender o mercado e como seu concorrente está se comportando, desenvolver a capacidade de se adaptar e ser flexível. Além disso, saber a hora de mudar a estratégia e agir rápido e com muita cautela e aprendizado.”

 

Zoraide Pires franqueada há 25 anos do Kumon


“Sou professora de formação e lecionava matemática para alunos do ensino médio.

Mas eu percebia uma grande dificuldade dos estudantes com relação ao conteúdo básico da disciplina. Como sou uma pessoa apaixonada pela educação, comecei a procurar alternativas para melhorar o ensino dessas crianças.

Conheci a marca Kumon por meio de uma palestra que aconteceu em minha cidade, e além de trabalhar com educação vi ali a oportunidade de crescer na carreira e aumentar a renda familiar. Em questão de meses abri meu negócio.

No início, e por 15 anos, dividi meu tempo entre lecionar para a escola do estado e fazer a orientação dos meus alunos na unidade.

Foi um período com grandes desafios, mas de grande crescimento pessoal/profissional.

No início tudo era mais difícil.

Começou com a estrutura para abrir o negócio, no começo eu fazia o atendimento das crianças na minha casa.

Depois aluguei uma sala e dividi uma linha telefônica com uma amiga. Era tudo muito simples, mas sempre feito com muita dedicação.

Meu grande desafio era explicar, apresentar a metodologia do Kumon para as pessoas da cidade.

Acabei matriculando todos os sobrinhos da família para que eles fossem meus garotos-propaganda e para mostrar na prática como o método de estudo funciona.

Eu fazia a divulgação do meu negócio.

Criava e distribuía panfletos, ia de casa em casa conversar com as famílias.

Todo o esforço foi válido. Ganhei os clientes pelo meu trabalho e dedicação.

Os aprendizados são inúmeros.

Nunca subestime a capacidade de nenhuma pessoa.

Todos podem se desenvolver e atingir os objetivos. Sou apaixonada pelo que faço e pela educação. Não me arrependo das escolhas que fiz.

Independente do negócio, conquiste seu cliente pela qualidade do seu serviço.

Seja empreendedora e não deixe nenhuma oportunidade passar.

Aproveite todas as situações.

Não enxergue como problemas ou dificuldades.

Veja tudo como uma boa oportunidade para aprender/crescer.

Invista na divulgação do seu negócio.

As pessoas precisam saber o que você faz para te procurar.

Descubra qual o melhor canal para chegar ao seu público: rádio, internet, boca a boca e esteja presente.

Mostre o seu trabalho sempre que possível.

Valorize sua equipe. Aprenda a delegar tarefas.

Cative e confie nas pessoas que estão ao seu lado.

Faça tudo com amor.”

 

Carlos Burtolini, 53 anos, é franqueado da Nutty Bavarian há 23 anos em Vitória/ES


“Foram quase 23 anos muito bem trabalhados.

O bom de ter uma franquia é que o plano de negócio já está pronto, então fica mais fácil para quem está começando.

Ao longo desses anos, vivemos muitas coisas e sou feliz com os dois pontos que tenho hoje.

Um estava fechado por conta da pandemia, mas estou reabrindo agora (fica no aeroporto).

Nesse tempo que estou com a Nutty Bavarian, lá no início dos anos 2000, aqui na região houve um grande incentivo para o plantio de macadâmia, muitos produtores passaram a produzir e, na época, a saída era menor do que a oferta.

Eu tive a ideia de levar isso para a franqueadora, que gostou e a macadâmia passou a fazer parte das nuts da Nutty Bavarian.

Um pouco depois, a demanda pela macadâmia aqui no estado aumentou, mas nós continuamos ofertando também.

Entre os maiores aprendizados, destaco a busca por inovação, saber a hora de mudar o quiosque, por exemplo.

Para atender melhor os clientes. Entender que a relação de franqueado e franqueador é de um time, pois no fim se a marca tem sucesso, todos também temos.

As dificuldades seriam as advindas da economia, porque todos são reféns dela.

E a pandemia, claro, que pegou todo mundo de surpresa e foi preciso focar em inovação e se reinventar para buscar espaço no mercado.”

 

André Binoti, franqueado YES! Idiomas há 19 anos


“A minha trajetória sempre foi marcada por muita dedicação ao negócio, otimismo e trabalho árduo.

Abri minha primeira franquia em Icaraí, em 2002. Em 2006, abri a 2ª franquia, em Alcântara, e em 2011 a 3ª franquia, no centro de São Gonçalo.

Ao longo desses anos, aprendi que dedicação sempre traz resultados.

Que liderança é exercida pelo exemplo.

O sucesso de nosso negócio é fruto de uma equipe bem formada, motivada, tratada com respeito.

A maior dificuldade é justamente manter diariamente o engajamento e a motivação da equipe.

Digo sempre que precisamos nos esforçar para manter a satisfação dos nossos funcionários, para que eles sejam felizes no ambiente de trabalho e cultivem amor ao negócio.

Eles são os principais responsáveis pelo sucesso da empresa.

Dedicação integral e trabalho diário para manter o engajamento dos colaboradores.

Eles são a cara do seu negócio.

A maneira como são tratados, vai refletir na forma com que eles lidam com os seus clientes e garantir o caminho de sucesso de sua empresa.”

 

José Tibério, franqueado da 5àsec da Mooca há 25 anos


“Sou um dos primeiros franqueados da 5àsec no Brasil.

A primeira loja que abri foi em 1996. São 25 anos de franquia, mais da metade da minha vida profissional.

Atualmente, tenho três unidades e estou adquirindo mais duas.

A trajetória é de muito sucesso, me alegrou profundamente por esses anos, pois consegui envolver minha família e sempre tivemos muito carinho tanto pela 5àsec quanto pelo segmento de lavanderia.

Ao longo do tempo, muitas coisas aconteceram, atravessamos as transformações econômicas do País, mas com um negócio estruturado, conseguimos manter a lucratividade.

Trabalhar em uma rede de franquia é necessário se adaptar às regras comportamentais e de convívio.

Seguir conceitos e padrões testados e aprovados pela rede. Estes são os grandes aprendizados.

A franquia passou por algumas mudanças de gestão ao longo dos anos.

A cada mudança, tivemos que nos adaptar, este foi o principal desafio nos meus anos de franquia.

Não só dentro da franquia, mas em todo o negócio, é necessário ter dedicação.

Temos que estar dentro da operação, valorizar as pessoas que estão com você, ter uma equipe treinada e que se adapte às mudanças.”

 

Rebecca Cristina Gatti Stafocher, franqueada da OdontoCompany de Santo André há 10 anos


“Tenho 36 anos e sou franqueada da OdontoCompany há 10 anos.

Me apaixonei pelo produto desde o nosso primeiro encontro, a franqueadora dá uma segurança maior, por ter os processos definidos, ajuda na implantação, propaganda, entre outros passos importantes.

Além disso, hoje a OdontoCompany junto à SMZTO tem uma estrutura muito boa.

Eu, como dentista, era acostumada a atender e ficar muito no operacional, então tive bastante dificuldade de abandonar o posto. No início, foi complicado começar a pensar como empresária e focar no estratégico, mas fora isso, tudo correu muito bem.

Temos que aprender a lidar com muitas coisas: fornecedores, bancos, entre outros, mas depois que acostuma fica mais fácil.

Sair da sua zona de conforto é sempre muito difícil, mas os resultados são maravilhosos.

A minha dica para quem quer empreender é sempre estudar, entender que quando nos tornamos empresários, donos do próprio negócio, devemos ter muita paciência, pois às vezes demora para o negócio engrenar e isso é muito normal, porém as pessoas hoje em dia não tem tanta paciência e, acredito, desistem cedo demais.”

 

Auro Tadeu Minhoto é franqueado Montana Grill há 19 anos e da Griletto há 5 anos


“Iniciamos as operações em fevereiro de 2002.

Fomos a segunda unidade da rede Montana Grill na capital paulista, quando a marca começava a ser conhecida nas praças de alimentação.

A adaptação ao negócio envolvia o desenvolvimento da equipe, o planejamento e a priorização das atividades do dia-a-dia e implementar ações para conquistar clientes e enfrentar a concorrência foram os maiores desafios.

Este é um negócio que envolve diretamente a satisfação dos clientes, suas opiniões e emoções.

Portanto, é importante estar continuamente investindo e treinando a equipe.

Para quem quer ter sucesso no negócio, é importante estar presente na linha de frente, comprometido sempre na própria atualização e equipe de trabalho, preservando a qualidade do atendimento e dos produtos oferecidos, e ainda estar atento à dinâmica dos resultados e às ações da concorrência. A

lém disso, a escolha da marca é muito importante.

Estar amparado por uma franqueadora sólida, como a Halipar, oferece inúmeros benefícios, como maior força na negociação, além de suporte em todos os processos do negócio, desde a abertura até o dia a dia. Isso faz com que o franqueado se sinta muito mais seguro.”

 

Walesca Pinheiro, franqueada de três unidades da Calçados Bibi no Rio de Janeiro


“Em 2021 faz 11 anos que sou franqueada da Bibi.

A nossa trajetória foi desafiadora, com tantos altos e baixos da economia do nosso país que impactaram diretamente na confiança e consequentemente no consumo dos clientes, mas representar uma marca consolidada com um parque fabril espetacular e totalmente inovadora, fez toda a diferença para superarmos os obstáculos que nos deparamos ao longo desses anos.

Tivemos muitos aprendizados nessa trajetória, mas acho que os principais foram ter foco na gestão do negócio e não na operação em si, o que te obriga a delegar e ter pessoas confiáveis.

E também saber contratar, ter um perfil bem traçado de colaboradores para o seu modelo de negócio é imprescindível.

No início, entender toda a dinâmica do varejo foi uma dificuldade, sem dúvida, mas eu vinha do comércio corporativo, então com o suporte da franqueadora, não demorei para dominar os processos.

Eu vivi na operação por um ano, sem gerente para entender as qualidades que eu precisava ter numa liderança e isso me deu muito conhecimento de chão de loja, produto e gestão de estoque.

O maior desafio do varejo hoje, e sempre foi na verdade, é manter uma equipe engajada ao propósito da marca.

Não posso deixar de falar que o ano de 2020, com a pandemia, foi absurdamente desafiador.

Vendo nossas operações fechadas e com tantas famílias que dependem delas sem trabalho, decidir o que e como fazer, foi bem difícil.

Tivemos que nos reinventar, negociar com todos os parceiros e nos preparar para a retomada.

A Bibi foi muito parceira e fez o possível para minimizar o impacto na nossa rede sem demitir na indústria e ainda manter atitude colaborativa local com hospitais.

A principal dica é escolher uma marca ou um negócio que tenha o seu perfil, que se identifique com o seu propósito e esteja ciente que o sucesso virá com a sua dedicação.

Converse com outros franqueados e entenda a satisfação e o suporte oferecido.

Eu não posso deixar de citar em ser correto com todas as partes envolvidas do seu negócio, cliente, colaborador, franqueadora etc.”

 

Eliana Ferri, franqueada do Instituto Embelleze há 15 anos


“Sou franqueada do Instituto Embelleze faz 15 anos, foram momentos de muitos aprendizado e conquistas, os primeiros anos até 2012 foram os com mais crescimento, chegamos a ter 4 franquias e um faturamento total de 400.000 mês.

Vivemos um momento de maior dificuldade a partir de 2014 com a crise financeira.

Senti muita dificuldade em gerenciar 4 escolas da mesma forma que fiz quando tinha somente as unidades na cidade de Porto Alegre.

Vejo que as escolas precisam muito do franqueado no dia a dia e que com o crescimento isto me dificultou.

Hoje estamos com duas escolas, acredito que temos muito o que oferecer principalmente neste momento que mais do que nunca as pessoas precisam de trabalho e renda rápido.”

 

Claudio Vila Nova é parceiro da CVC há 23 anos


“Sou ex-funcionário e fui empreender como franqueado CVC, depois virei, há 12 anos, Master Franqueado da CVC para o mercado do Distrito Federal.

Hoje comando um grupo de 34 lojas franqueadas no Distrito Federal.

E um dos meus papéis é captar novos franqueados em sua região de atuação.

O Distrito Federal é um dos 5 principais mercados emissivos da marca CVC para viagens.

Um dos principais aprendizados foi entender a importância em sempre buscar produtos que caibam no bolso dos clientes.

Vale dizer que temos diversos produtos que cabem em todos os tipos de bolso e, também, se adequam a todos os tipos de clientes.

Desde viagens de carro para destinos próximos até um roteiro mais completo pela Europa com direito a guia falando em português.

Outro grande aprendizado também foi perceber a importância da capilaridade em nossos negócios.

Na região central de Brasília, por exemplo, há 5 lojas CVC em um raio de apenas 1 km, sendo 4 delas dentro de shoppings e 1 loja de rua.

E vivemos em harmonia com isso porque a capilaridade é sempre importante para trazer bons resultados.

As maiores dificuldades foram os momentos de crises, porém saímos mais fortes de todas elas.

Um exemplo foi em 2008, quando cheguei à Brasília como Master Franqueado.

Naquele ano houve a crise da bolha imobiliária e vivemos três meses de muita dificuldade, mas, logo em seguida, nos fortalecemos.

Foi quando iniciamos as mega promoções em parceria com as companhias aéreas e hotéis.

Conseguimos resultados maravilhosos e até um recorde de vendas de pacotes para os Estados Unidos.

Eu tinha como meta vender 500 pacotes em 4 dias, mas eu acabei vendendo 5 mil.

Atualmente, eu acredito que as crises são as maiores dificuldades, mas também os maiores aprendizados. Nós sempre saímos mais fortes delas e com a pandemia também não será diferente.

É preciso amar o que faz, ter dedicação total ao trabalho e acreditar no trabalho da equipe.

Além disso, saber trabalhar em conjunto e sempre colocar metas profissionais e também as pessoais para realizar sonhos.”