Novo momento do trabalho: Empreendedorismo ganha destaque

Com tantas mudanças no mercado de trabalho, entrada no empreendedorismo e franquias se dá por necessidade para uns e pelo sonho de ter o próprio negócio para outros

 

Em um mundo em constante mudança tanto comportamental quanto tecnológica, as atividades humanas e suas necessidades também passam por transformações.

Por esses e outros motivos, a sociedade observa um novo momento do trabalho.

Nos últimos anos, muitas empresas passaram por transformações e a própria revolução tecnológica permitiu o surgimento de novas modalidades de trabalho.

Ao mesmo tempo, a legislação trabalhista e a economia também apresentaram mudanças profundas, abrindo novos campos e contribuindo para esse novo momento do trabalho.

O empreendedorismo tem papel marcante nesse novo cenário, trazendo respostas e oportunidades.

Conforme com um levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em 2021 mais de 3,9 milhões de empreendedores tornaram-se formais por meio de micro ou pequenas empresas ou, ainda, se registraram como microempreendedores individuais (MEIs).

De acordo com o estudo da entidade, esse número significa um crescimento de 19,8% em relação a 2020, ano em que foram abertos 3,3 milhões de novos negócios.

Segundo o Sebrae são duas grandes razões para as pessoas partirem para o empreendedorismo:

– Por necessidade – Quando o trabalhador se vê sem opções de cargos em empresas e busca no negócio próprio a sua fonte de renda. Microfranquias são opções para muitos desses novos investidores que iniciam uma nova fase profissional

– Busca por mudança e qualidade de vida ao abrir o próprio negócio – Em muitos casos, o cidadão começa cedo no mercado empreendedor e em outros o futuro empresário atua nas organizações de outras pessoas até adquirir experiência ou se deparar com a oportunidade de, finalmente, abrir sua própria empresa.

“O mercado de trabalho já antes da pandemia vinha mudando o viés de contratação, substituindo o contrato CLT, que tem encargos pesados, por PJ (Pessoa Jurídica) e ‘ser um PJ’ é um início de empreendedorismo, pois requer que o contratado tenha uma empresa”, explica Sylvio Korytowski, Managing Partner da Kick Off Consultores Associados e membro do Conselho Fiscal na ABF.

“Temos algumas vertentes mudando o cenário de trabalho: uma nova geração mais independente desapegada, a pandemia e o alto nível de desemprego. Isso faz com que as pessoas busquem mais um negócio próprio para empreender“, completa o consultor.

Na análise de Marcos Guimarães, CEO da CNX Line Gestão de Negócios e Franquias, o empreendedorismo se tornou mais evidente com a pandemia e aflorou o modelo de “empreender por necessidade”.

“Devido à situação econômica de endividamento, o número de empreendedores cresceu à medida que o desemprego aumentou”, explica ele.

Segundo o consultor, a pandemia condensou em menos de dois anos mudanças que estavam previstas para acontecer ao longo de uma década.

“Uma tendência do momento atual do mercado de trabalho que já acontece é o fato de que muitas equipes não precisam mais trabalhar ao mesmo tempo, ou seja, o futuro do trabalho é assíncrono, então cada um pode ajustar sua agenda de acordo com suas necessidades e compromissos e assim quando a equipe se conecta o tempo se torna mais proveitoso”, acredita ele.

“Logicamente o melhor modelo de empreender é por oportunidades na qual permite maiores chances de sucesso, podendo ser melhor planejado com chances de mais recursos e melhores resultados. Dentro do mercado de trabalho é fundamental ser empreendedor, seja como colaborador de uma empresa, proprietário de uma marca ou franquia: isso significa que o negócio tem mais chances de sucesso”, destaca Guimarães.

 

Sonhos e Tendências
Apesar de muitos trabalhadores irem para o caminho do “empreendedorismo por necessidade”, um grande número de pessoas têm o empreendedorismo como sonho e objetivo de vida, o que tem forte impacto no novo momento do trabalho.

De acordo com dados de uma pesquisa sobre empreendedorismo no mundo da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) feita em parceria com o Sebrae e o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade, a taxa de empreendedorismo no Brasil teve um crescimento de 75%, passando de 30% em 2019 para 53% em 2020 de “pessoas que ainda não empreendem e que querem abrir um negócios nos próximos anos”.

De acordo com esse estudo, pela primeira vez identificou-se que ter uma empresa é o segundo sonho do brasileiro.

Para o Sebrae, os dados mostram que o cidadão brasileiro tem espírito empreendedor e muita criatividade e o que o empreendedorismo tem papel fundamental na economia brasileira com geração de emprego e renda e como contribuição para o desenvolvimento do País.

“Sabemos que para empreender é preciso muito suor. Engana-se quem pensa que ter um negócio próprio ou franquia é sinônimo de sossego e mais tempo livre.

Tudo depende dos resultados que cada um espera colher, e esse resultado é uma grande necessidade no dia a dia do empreendedor no Brasil”, destaca Marcos Guimarães, CEO da CNX Line Gestão de Negócios e Franquias.

“Estamos num caminho sem volta, ser empreendedor é uma realidade e necessidade cada vez maior para todos, que está intimamente ligado ao sucesso da sua carreira profissional”, projeta o especialista.